DNA

A pequisa genealógica fundamenta-se na busca e na análise de provas documentais, principalmente – mas não exclusivamente – de assentos e certidões. Essas provas, no entanto, nos trazem evidências que podem conter incorreções intencionais ou não intencionais da parte de quem as criou. Cabe ao genealogista utilizar procedimentos para evitar conclusões equivocadas por conta dessas incorreções.

Há pouco mais de vinte anos, uma nova tecnologia se tornou acessível para os genealogistas: a genética. Embora por muito tempo os estudos genéticos fossem caros e estivessem restritos a testes de paternidade e perícias forenses, hoje eles são um produto comercial que pode ser adquirido a um preço razoável pela internet de empresas como a 23andme, a Ancestry.com e a FamilyTreeDNA. Mediante envio de uma amostra de saliva ou de células da parte interna da bochecha – um procedimento absolutamente indolor -, é possível descobrir, por exemplo, qual a origem etnogeográfica de nossos antepassados.

Esses testes se classificam em três tipos:

  1. DNA mitocondrial (mtDNA): disponível para homens e mulheres, permite descobrir a linhagem materna, pois é transmitido apenas a partir da mãe de mãe;
  2. Cromossomo Y (Y-DNA): disponível apenas para homens, permite descobrir a linhagem paterna, pois é transmitido apenas de pai para filho;
  3. DNA autossômico (atDNA): disponível para homens e mulheres, permite descobrir, de forma genérica, a origem etnogeográfica.

Abordarei cada um desses testes em textos futuros, porém posso citar algo interessante que descobri quando fiz os dois primeiros dentro do Projeto Genográfico da National Geographic. Meu avô materno era negro e minha avó materna, branca. Até onde eu sabia pelo que havia ouvido de minhas tias, o pai de minha avó seria descendente de portugueses. Quando recebi o resultado do Projeto Genográfico, descobri que o mtDNA de minha avó materna – que eu herdei de minha mãe – era de um tipo que só existia na África. Não apenas isso, mas era também de origem muito remota – abordarei esse caso em outro texto.

A vantagem de fazer esses testes nas empresas que citei é que, à medida que novas descobertas são feitas, os resultados são atualizados. Foi o que ocorreu hoje com o resultado do meu atDNA. E nesse resultado havia mais uma surpresa: eu tenho 5% de ascendência judaica sefardita (veja abaixo). Isso obviamente não me dá direito a requerer a nacionalidade portuguesa, como já abordei em outro texto, mas pode indicar novas linhas de investigação documental.

atdna
myOrigins – FamilyTreeDNA

Se a pesquisa documental é sujeita a erros, sua combinação com a pesquisa genética permite maior confiabilidade nas conclusões. É dessa forma, portanto, que a genética e a genealogia se complementam no estudo da história de nossas famílias.


José Araujo é linguista e genealogista amador.

2 comentários

  1. […] um lado, pude descobri os dramas de pessoas com quem compartilho mais do que apenas o sobrenome e que eu e meus parentes vivos simplesmente desconhecíamos. Por outro lado, pude me reaproximar […]

  2. […] é aí que surge o diferencial dos fornecedores de testes genéticos que mencionei em um texto anterior. Os sites desses fornecedores permitem o cruzamento das informações dos resultados de testes de […]

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