Padres

Queiroz e Moscatel afirmam:

é grande a probabilidade de todos os portugueses terem pelo menos um padre em sua árvore genealógica

O assento de batismo abaixo mostra que isso certamente foi o caso em minha árvore ao menos uma vez.

Batismo de Julio de Araujo
Assento de Batismo de Júlio de Araújo – 23/12/1794 – Barcos, Tabuaço, Viseu

Aqui a transcrição:

Aos 23 dias do mês de dezembro do ano de 1794, batizei solenemente a Júlio, que tinha nascido em 14 do dito mês, filho legítimo e primeiro casamento de Manoel de Araújo e Luisa do Amaral, desta freguesia colegiada de Barcos, neto pela parte paterna de Manoel de Araújo e sua mulher Quitéria Maria de Macedo, e pela materna neto de Luis do Amaral e sua mulher Maria Clara, todos os nomeados naturais desta dita freguesia de Barcos. Foram padrinhos o padre José Pereira da Motta e sua irmã Maria Theresa, tios pela parte materna do mesmo batizado.

O curioso é que a mãe de Júlio aparece nomeada como Luisa do Amaral no assento de batismo dele e como Luisa Motta no de seu filho Manoel de Araújo Motta, meu bisavô. Luisa é filha de Luis do Amaral, filho de José do Amaral Soares e Anna Luisa, e de Maria Clara, filha de Inácio Pereira e Clara Pires. O sobrenome Motta não aparece até a sétima geração em linha direta, porém o assento de batismo de Júlio registra o padre José Pereira da Motta como padrinho e tio materno, logo se trata de um sobrenome familiar provavelmente mais remoto e que foi retomado. Este caso ilustra também um aspecto que discutirei em outro texto: o complexo sistema de sobrenomes portugueses.

Padre José Motta surge novamente em outro evento, como testemunha no assento de casamento de José de Macedo e Luisa Ignácia – ela provavelmente sua parente, pois diz-se que sua mãe era Maria do Amaral e ele era filho de Luís do Amaral. O assento está abaixo, seguido da transcrição.

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Assento de Casamento de José de Macedo e Luisa Ignácia – 8/11/1788 – Barcos, Tabuaço, Viseu

Aos oito dias do mês de novembro do ano de 1788, nesta freguesia de Nossa Senhora da Assunção da vila de Barcos, na minha presença e das testemunhas ao diante nomeadas, se casaram em face de igreja, José de Macedo, filho legítimo de Antonio de Macedo e Maria Veiga, ambos naturais desta dita freguesia, e Luisa Ignácia, filha legítima de Miguel de Carvalho e Maria do Amaral, também naturais desta dita e já defuntos. Este é o primeiro casamento da parte de ambos. Foram testemunhas presentes André de Macedo e sua irmã Maria de Macedo, Antonio Pereira do Amaral, Domingos de Macedo e outras muitas mais pessoas, homens e mulheres. Por verdade, fiz este assento que assinei com as testemunhas presentes, o padre sacristão Mathias Pereira e o padre José Pereira da Motta, ambos in minoribus. Dia, mês e ano ut supra. – o pároco Geminiano [] da Costa

O assento traz mais um detalhe sobre padre José Motta – sua condição de estar em uma ordem menor, o que talvez signifique que ele ainda era jovem, tendo recebido apenas a prima tonsura.

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Tonsura romana – Fonte: Wikipédia

José Araujo é linguista e genealogista amador.

1 comentário

  1. […] sua mãe, teve outro filho que seguiu a vida religiosa: José Pereira da Motta, sobre quem falei em outro texto. O interessante neste longo assento de óbito são as disposições testamentárias de Maria […]

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