Casamentos

A pesquisa genealógica costuma começar pelos documentos que estão na mão do pesquisador, normalmente sua própria certidão de nascimento, a certidão de casamento (ou óbito) de seus pais e, com um pouco de sorte, a de seus avós. Infelizmente, conforme se avança pelas gerações e os séculos, é certo que não haja mais documentos disponíveis em arquivo pessoal.

É nesse momento que o pesquisador deve começar a percorrer os cartórios das cidades em que sua família viveu. Se não tiver tempo e recursos para começar a pesquisa in loco, ele pode recorrer aos bancos de dados disponíveis na web, como o FamilySearch. Quando os antepassados são portugueses e sua origem é conhecida, é possível ainda buscar entre os muitos assentos digitalizados e disponíveis para consulta nos sites dos arquivos distritais. Mas qual tipo de assento buscar? Por onde começar?

Os assentos disponíveis em Portugal poderão indicar os caminhos a seguir:

  • Um assento de óbito disponível em arquivo pessoal informa os nomes dos pais e o do cônjuge do falecido, sua idade no óbito – pela qual poderá estimar o ano de nascimento se não for informado – e sua origem;
  • Um assento de casamento informa os nomes e locais de residência dos cônjuges e os dos seus pais (e avós nos assentos portugueses dos séculos XVIII e XIX), suas datas e locais de nascimento ou, em certidões mais antigas, suas idades no matrimônio;
  • Um assento de batismo, enfim, informa o nome da criança, os de seus pais e de seus avós, o local e a data de nascimento.

Cada uma dessas informações sugere uma rota possível para as novas buscas, mas, segundo os genealogistas mais experientes, os assentos mais úteis são os de casamento, pois eles:

  • existem em quantidade menor se comparadas às de nascimento e óbito;
  • contêm mais informação, em média;
  • costumam trazer os nomes dos noivos anotados na margem, o que agiliza a busca em livros com centenas de páginas;
  • permitem avançar até duas gerações – pais e avós – em dois ramos familiares – do noivo e da noiva – o que os assentos de batismo também fazem ao informar os nomes dos avós da criança;
  • podem ser encontrados de forma simples a partir de assentos de batismo disponíveis bastando procurar no mesmo ano ou nos anos imediatamente anteriores ao do nascimento da criança;
  • informam os nomes do padre oficiante, de testemunhas ou de padrinhos dos noivos, que podem ser parentes ou pessoas importantes para eles, o que, em alguns casos, ajuda o genealogista a encontrar soluções para problemas aparentemente insolúveis em um dos ramos familiares.

Uma estratégia útil para localização de assentos paroquiais de casamento portugueses – especialmente quando nos damos conta de que eles não estão exatamente onde imaginávamos – determina que ele devem ser procurados:

  1. primeiro na paróquia onde a noiva foi batizada ou onde viviam seus pais;
  2. depois onde o noivo foi batizado ou onde viviam seus pais;
  3. então na paróquia onde o noivo exercia suas atividades;
  4. depois na paróquia dos avós maternos da noiva e, por fim, na dos seus avós paternos.

Abaixo apresento o original digitalizado de um assento de casamento de meados do século XVIII:

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Assento de Casamento de Pedro Nunes e Violante Maria – 23/12/1743 – Vila Real, Portugal

Todos os assentos paroquiais e certidões deveriam ser transcritos, pois a transcrição permite darmos outros tratamentos à informação, tal como a produção de um texto narrativo da história familiar. Abaixo apresento a transcrição do assento exibido na imagem acima:

Aos 23 dias do mês de dezembro do ano de 1743, feitas primeiro as denunciações na forma do sagrado concílio tridentino e constituições deste arcebispado de Braga primaz, nesta freguesia de Vilar de Maçada, em presença de mim o padre João de Mesquita, coadjutor desta freguesia se receberam, sem bênçãos, Pedro Nunes, filho legítimo de Leonardo Gonçalves e Anna Correa, com Violante Maria, filha legítima de Francisco Dias, já defunto, e de Anna Correa, todos do lugar de Francelos e desta freguesia de Vilar de Maçada, e não tiveram impedimento algum nem eu o soube. Foram testemunhas Domingos Rodrigues e [] Ferreira, ambos deste lugar de Vilar de Maçada, e para constar fiz este termo era ut supra. O coadjutor padre João de Mesquita

Finalmente, a informação evidenciada por meio da transcrição deve ser convertida para o formato de árvore de costados – também conhecida como gráfico de linhagem – como o que se vê a seguir, em formato muito simplificado, com datas obtidas de outros assentos não apresentados aqui:

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Ramo da Árvore de Costados

A árvore de costados pode ser produzida com um programa de computador especificamente criado para isso, mas nada impede que se faça uma por meio de um modelo como o que se pode baixar aqui (formato DOC).

Qualquer que seja a escolha da ferramenta, observe que o número de indivíduos dobra em cada geração, o que significa que árvores extensas demandarão mais de uma folha do modelo oferecido acima.