Gerações

Uma estratégia bastante usada para encontrar os assentos paroquiais é seguir a regra dos 25. Segundo essa regra, cada geração se separaria das outras por um intervalo de 25 anos. Assim, imaginemos o caso em que temos uma certidão de casamento de nossos avós, onde se informa que o casamento ocorreu em 1853.

Segundo a regra dos 25, o nascimento de nosso avô – para ficar com apenas um lado da árvore familiar – teria ocorrido por volta de 1828. Assim, bastaria buscar os livros de batismo da paróquia cujas datas de registro compreendessem esse ano.

O casamento dos pais de nosso avô teria obviamente ocorrido antes de 1828. Bastaria, então, buscar os livros de casamento da paróquia cujas datas de registro compreendessem esse ano e os imediatamente anteriores.

Continuando na regra dos 25, poderíamos buscar em seguida os registros de batismo de nossos bisavós, imaginando que eles se casaram com aproximadamente 20 anos, embora a idade média no primeiro casamento tenha variado entre os sexos, no tempo e no espaço, como se vê no quadro abaixo.

idademedia

Idade média ao primeiro casamento – Fonte: História da Vida Privada em Portugal – A Idade Moderna

Claro que essa regra não é exata. Eu mesmo tenho um avô que se casou aos 50 anos. Minha avó, sim, tinha 18 anos na época. E casamentos tardios, especialmente de viúvos, não eram raros em Portugal na época de que estou falando.

O caso que acabei de usar como exemplo é real. Meus bisavós se casaram em 8 de fevereiro de 1853 em Viseu, Portugal. Meu avô nasceu em 10 de setembro 1824 – quatro anos antes do que seria previsto pela regra dos 25 – e seus pais se casaram em 22 de junho 1823. Meu trisavô, enfim, deve ter nascido por volta de 1796, mas o assento ainda não está disponível para consulta on-line.

A conclusão é que a regra é bastante útil para a pesquisa genealógica, mas é sempre bom usá-la com uma dose de precaução. Eu sempre procuro registros de datas anteriores e posteriores à que seria prevista por essa regra. E tenho tido bastante sucesso assim.


José Araújo é linguista e genealogista amador.

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