Padrinho

A escolha dos padrinhos não era algo trivial em Portugal nos séculos passados. O princípio geral, nos informam Queiroz e Moscatel, era de que para apadrinhar uma criança, antes do século XX, bastava ser batizado e poder comungar. Sendo assim, um menor de idade poderia se tornar padrinho de seu irmão mais novo.

As escolhas poderiam recair sobre irmãos ou primos do batizado que, sendo solteiros, tinham os nomes de seus pais informados no assento de batizado. Tios e avós também podiam ser padrinhos, e essa relação era também normalmente informada. Em todos esses casos, os assentos encontrados fornecem pistas preciosas sobre as relações familiares que podem não ter sido evidenciadas em outros documentos.

Fora os ‘candidatos humanos’, é curioso descobrir que também santos cujas imagens se encontrassem nas igrejas onde as crianças eram batizadas poderiam ser nomeados como padrinhos de uma criança. É isso o que se vê no caso abaixo e em outros quatro batizados dos filhos de José Maria Barradas e Engrácia de Oliveira, que foram sogros de meu tio-bisavô.

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Assento de Batismo de Carlos Augusto – 14/09/1842 – Barcos, Tabuaço, Viseu

Aqui a transcrição:

Aos 14 dias do mês de setembro do ano de 1842, eu, Antonio Rodrigues Pinheiro, reitor colado nesta igreja de Nossa Senhora da Assunção da vila de Barcos, solenemente batizei a Carlos Augusto, que tinha nascido no dia 20 neste mês de agosto do presente ano, filho legítimo de José Maria Barradas e de sua mulher Engrácia de Oliveira, primeiro matrimônio entre ambos, naturais desta vila, neto paterno de Manoel Antonio e de sua mulher Ellena Barradas, naturais desta vila, materno de Alexandre Pinto e de sua mulher Maria de Oliveira, naturais aquele, digo, desta vila. Foram padrinhos D. Carlota Augusta Sarmento Falcão, solteira, filha legítima de Francisco Herédia Sarmento e de sua mulher D. Maria da Costa, naturais desta vila, e tocou por padrinho uma insígnia de Santo Antonio José Antonio de Araújo desta vila. Foram testemunhas presentes José Antonio de Araújo e Júlio de Araújo, que comigo assinam para constar dia, mês e ano ut supra.

1 comentário

  1. […] escolha dos padrinhos poderia ocorrer dentro da família – entre irmãos, tios e avós – ou fora dela, quando […]

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