Incomum

Cipriano de Macedo Pinto era primo de minha bisavó paterna e nasceu em Barcos, Tabuaço, Viseu, em quatro de agosto de 1843, tendo sido batizado em casa no mesmo dia “por estar em perigo de vida”. À pia batismal ele só foi no dia 15 do mesmo mês e ano.

Dadas as evidências encontradas até este momento, acredito que Cipriano teve ao todo quatro filhos e uma filha. Dentre os filhos, apenas um parece não ter chegado à vida adulta – Antonio (1871-1877). Os demais – Luis (1876-), Antonio (1884-1965) e Isidoro (1886-) – chegaram ao menos até a idade do serviço militar, pois foi possível encontrar registros com seus nomes na base de dados Germil.

O segundo filho de nome Antonio faleceu com a idade avançada de 80 anos, como pude comprovar ao descobrir averbações em seu assento de batismo, como se vê abaixo.

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Batismo de Antonio de Macedo Pinto – 28/10/1884 – Barcos, Tabuaço, Viseu

Aqui a transcrição:

Aos 23 dias do mês de novembro do ano de 1884, nesta igreja paroquial de Barcos, concelho de Tabuaço, diocese de Lamego, batizei solenemente e pus a um indivíduo do sexo masculino a que dei o nome de Antonio, que nasceu nesta freguesia às cinco horas da tarde do dia 28/10/1884, filho legítimo de Cypriano de Macedo Pinto, de profissão jornaleiro e de Luiza Cardoso, que se ocupa no governo doméstico, naturais desta freguesia onde foram recebidos e na mesma paroquianos e moradores na rua do Figueiredo, neto paterno de Antonio de Macedo Ferrador e de Carolina Augusta e materno de Antonio Cardoso Martins e de Maria José. Foi padrinho Antonio Cardoso, solteiro, jornaleiro, e madrinha Rosa d’Anunciação, solteira, os quais sei serem os próprios por informação. E para constar se lavrou em duplicado este assento, que depois de lido e conferido perante os padrinhos, comigo o não assinaram por não saberem escrever. Era ut supra. O abade Antonio Lopes Roseira

Averbação nº 1 – Casou com Maria da Conceição Araújo, de 34 anos, natural da freguesia de Barcos, concelho de Tabuaço, filha de Bárbara Osório, na repartição do Registo Civil do concelho de Tabuaço, no dia 19/02/1920. Assento nº 17, do ano de 1920 desta conservatória. Em 28/07/1965 – José Custódio [Castro]

Averbação nº 2 – Faleceu na freguesia de Barcos, concelho de Tabuaço, pelas nove horas do dia 17/01/1965. Assento nº 11 do ano de 1932 (sic) dessa conservatória. Em 28/07/1965. Emendei: “Faleceu” – José Custódio [Castro]

Mas nada disso é incomum a respeito de uma pessoa que vivesse naquela época. O incomum foi descobrir que Cipriano teve filhos com duas mulheres – Delfina de Macedo e Luiza Cardoso. Os filhos que teve com Delfina – o primeiro Antonio e Luis – foram batizados e tiveram a paternidade reconhecida, porém foram registrados como filhos naturais. Veja abaixo o assento de batismo do primeiro Antonio, em cuja margem há uma anotação informando a data de seu óbito.

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Batismo de Antonio de Macedo Pinto – 11/04/1871 – Barcos, Tabuaço, Viseu

Aqui a transcrição:

Aos 24 dias do mês de abril do ano de 1871, nesta freguesia de Barcos, concelho de Tabuaço, diocese de Lamego, o presbítero Antonio Augusto Tavares, pároco colado na igreja paroquial, da mesma freguesia, batizei solenemente e pus os santos óleos a um indivíduo do sexo masculino a que dei o nome de Antonio, que nasceu nesta freguesia às cinco horas da tarde do dia 11/04/1871, filho natural e primeiro do nome de Cipriano Pinto, de profissão jornaleiro e de estado solteiro e de Delfina de Macedo, solteira, naturais desta freguesia e meus paroquianos, moradores na rua de cima de vila, neto paterno de Antonio de Macedo e de Carolina Augusta e materno de Luiz de Macedo e Maria Luisa. Foi padrinho Antonio dos Santos Aguiar, de profissão negociante, e madrinha Maria Joaquina [], os quais sei serem os próprios. E para constar se lavrou em duplicado este assento, que depois de lido e conferido perante os padrinhos, comigo assinou o padrinho e não a madrinha nem o pai, que neste ato prestou o seu [consentimento], por não saberem escrever. Era ut supra.

Já os filhos que Cipriano teve com Luiza – Maria, o segundo Antonio e Isidoro – foram registrados como legítimos. Isso significa que ele se casou com Luiza, mas não se casou jamais com Delfina. Veja abaixo o assento de batismo de Maria da Ascensão.

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Batismo de Maria da Ascensão – 25/04/1882 – Barcos, Tabuaço, Viseu

Aqui a transcrição:

Aos 18 dias do mês de maio do ano de 1882, nesta freguesia de Nossa Senhora da Assunção de Barcos, concelho de Tabuaço, diocese de Lamego, batizei solenemente e pus os santos óleos a um indivíduo do sexo feminino a que dei o nome de Maria da Ascensão, que nasceu nesta freguesia às onze horas da noite do dia 25 do mês de abril do ano de 1882, filha legítima e primeira do nome de Cypriano de Macedo Pinto, de profissão jornaleiro, e de Luiza Cardoso, que se ocupa no governo doméstico, naturais desta freguesia, recebidos na freguesia de Barcos e [] paroquianos desta freguesia e moradores na rua do Figueiredo, neta paterna de Antonio de Macedo e Carolina Pinto e materna de Antonio Cardoso Martins e de Maria José. Foi padrinho Isidoro Cardoso, solteiro, jornaleiro, e madrinha Maria José, viúva, proprietária, os quais todos sei serem os próprios. E para constar se lavrou em duplicado este assento, que depois de lido e conferido perante os padrinhos, comigo o não assinaram por não saberem escrever. Era ut supra. O Abade Antonio Lopes Roseira

Não foi encontrado um registro de óbito para Delfina na mesma paróquia em que se informe que ela possa ter falecido antes do nascimento de Maria da Ascensão, primeira filha após o casamento de Cipriano com Luiza. Isso sugere que Delfina estivesse viva quando ele se casou. Por que ele não se casou com a mãe de seus dois primeiros filhos, mesmo tendo reconhecido a paternidade deles, é um mistério.


José Araújo é linguista e genealogista amador.