Muros

A expressão inglesa brick wall – muro de tijolos – é usada para descrever o ponto a partir do qual a pesquisa genealógica é interrompida pela inexistência – ou impossibilidade momentânea – de encontrar novos registros documentais a respeito de um antepassado ou um costado da árvore genealógica.

Já esbarrei com alguns desses muros em minha pesquisa por conta de fazer minha pesquisa basicamente a partir da consulta de bases digitais, algumas das quais recomendadas aqui no blog. Essas bases dependem de atualização periódica tanto de documentos quanto de índices, os quais eliminam a necessidade de olhar registro por registro em livros que frequentemente contêm centenas de registros, vários deles bem pouco legíveis.

Um dos muros com que me deparei foi justamente a virada do século XVIII para o século XVII. Durante alguns meses, acreditei que não encontraria registros digitalizados anteriores a 1800 para as localidades de meu interesse: Viseu e Vila Real. Se confirmasse essa suspeita, só me restaria a contratação de um genealogista local, o que custa muito caro.

Mas minha persistência compensou e consegui dobrar meu Cabo da Boa Esperança, digo, romper a barreira do século XVII. Isso ocorreu quando encontrei os assentos de batismo de Isabel e Domingos, meus antepassados de nona geração, que se casariam por volta de 1703 – data estimada pela do nascimento do filho mais velho encontrado até o momento.

Veja os assentos e as respectivas transcrições abaixo.

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Batismo de Isabel – 14/12/1676 – Favaios, Alijó

Aos 14 dias do mês [de] dezembro de 1676 anos, eu, padre Antonio Teixeira de [Magalhães], vigário da igreja de São Domingos da vila de Favaios, batizei e pus os santos óleos a Isabel, filha de Simão Francisco e de sua mulher Ana Lopes, moradores em Soutelinho. Foram padrinhos Antonio [] e sua mulher, todos desta freguesia. Isto passa na verdade ut supra.

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Batismo de Domingos – 7/04/1675 – Favaios, Alijó

Aos sete dias de abril de 1675 anos, eu, o padre Antonio Teixeira de [Magalhães], vigário da paroquial igreja de São Domingos da vila de Favaios, batizei e pus os santos óleos a Domingos, filho de João [Fernandes] e sua mulher Maria Fernandes. Foram padrinhos Pedro de Beça e sua mulher Ignez de Barros, todos moradores nesta vila de Favaios. Isto passa na verdade ut supra.

Ainda me resta localizar o assento de casamento deles, porém minhas buscas me levaram ainda mais longe: o distante ano de 1666, com o registro de casamento de Felipe Fernandes e Anna Lourenço em Vilar de Maçada, Alijó, Vila Real, em 4 de março daquele ano.

Se você esbarrar com um muro de tijolos em sua pesquisa, tente superá-lo com estas dicas:

  1. Tente seguir por outro ramo da família: em lugar de buscar os antepassados da linha direta, tente pela linha colateral (tios, primos);
  2. Abra mão temporariamente das fontes paroquiais: se os assentos de batismo, casamento e óbito não avançam além de determinada data, tente outras fontes, como as militares, as acadêmicas e os periódicos;
  3. Inscreva-se em algumas páginas do Facebook: existem páginas com milhares de pesquisadores que já passaram pela situação em que você se encontra e talvez eles tenham ideias que possam ajudar.

José Araújo é linguista e genealogista amador.