Google

A pesquisa genealógica é realizada principalmente em fontes primárias – assentos paroquiais de batismo, casamento e óbito; testamentos; cartas; jornais e revistas entre outros -, mas também pode recorrer a bases de dados criadas a partir das já citadas fontes primárias e mesmo a pesquisas genealógicas já produzidas. Outra ferramenta útil, embora ao mesmo tempo superestimada e subestimada, é o motor de buscas Google.

Digo que o Google é superestimado porque há pessoas que acreditam que, se não têm sucesso em uma busca por informações de um antepassado nessa ferramenta, isso só pode significar que não há informações sobre esse antepassado disponíveis em nenhum lugar. Essa crença parte do princípio de que o Google é capaz de encontrar qualquer informação em qualquer lugar. Na verdade, ele é capaz de encontrar apenas informações que tenham sido publicadas em sites ou portais aos quais seu rastreador tenha acesso. Informações que estejam contidas em bases de dados, por exemplo, podem não ser rastreadas pelo Google, mas isso não significa que não estejam disponíveis para consulta, pois essas bases fornecem suas próprias ferramentas de busca, como é o caso do arquivo da Universidade de Coimbra e o projeto GERMIL.

Digo que o Google é subestimado porque há pessoas que não imaginam que poderão usá-lo na pesquisa genealógica por se tratar de uma ferramenta de uso geral. Realmente, ele não foi criado para dar conta da pesquisa genealógica, mas, se nossos antepassados foram pessoas de algum destaque em seus países, suas cidades ou vilas, é muito provável que haja alguma informação disponível para o rastreador do Google. Um exemplo que posso citar neste caso tem a ver com José Pinto Rebello de Carvalho, primo de minha trisavó, sobre quem já escrevi extensamente aqui no blog. O Google me permitiu encontrar não apenas informações biográficas no site da cidade onde ele viveu, mas também obras que ele escreveu e até estudos acadêmicos que mencionavam seu nome.

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Para obter o máximo de sua pesquisa genealógica no Google, sugiro algumas estratégias:

  1. Nome do antepassado: como o uso de nomes e sobrenomes pode não ter sido algo muito padronizado no passado, tente diferentes formas. Ex.: “José Pinto Rebello”, “José Pinto Rebello de Carvalho”, “José Pinto Rebello de Carvalho Souto” (lembre-se de usar as aspas);
  2. Grafia antiga: se o nome do antepassado apresentava consoantes dobradas ou formas que caíram em desuso, opte pela forma antiga se estiver à busca de informações em jornais e revistas antigos. Ex.: Josepha Rebello, Manoel Pinto;
  3. Grafia atual: se o nome do antepassado apresentava consoantes dobradas ou formas que caíram em desuso, opte pela forma atual se estiver à busca de informações em sites e artigos científicos. Ex.: Josefa Rebelo, Manuel Pinto;
  4. Publicações: para busca por livros, jornais e revistas antigos que possam conter informações sobre o antepassado, use o Google Livros;

Armazene, se possível em formato PDF (com a opção Salvar como PDF), todas as informações potencialmente valiosas que encontrar. Assim ficará mais fácil a consulta posterior e o arquivamento dos registros em ferramentas de criação de árvores genealógicas.


José Araújo é linguista e genealogista amador.