Emergência

O advogado e deputado António Júlio Pinto Ferreira foi assassinado em 27 de junho de 1867 na vila de S. João da Pesqueira em Viseu, Portugal. Não era meu ascendente direto, mas sim um primo distante. A razão para abordar seu assassinato mais uma vez não está no fato em si, mas em uma questão de onomástica.

António Júlio (1827-1867) era filho do Bacharel José Pinto Rebello de Carvalho (1787-1870), a quem já dediquei vários textos aqui no blogue. O assento de batismo de António identifica seu pai como José Pinto Rebello de Carvalho Pestana, como se vê na transcrição abaixo:

Aos 30 de julho de 1827 batizei solenemente a António Júlio, nascido de onze dias, filho legítimo do Doutor José Pinto Rebello de Carvalho Pestana, natural de Barcos, e dona Maria Adelaide, desta vila e freguesia, neto paterno de José Pinto Rebello do Souto e Bárbara Ribeiro de Carvalho, todos de Barcos, materno de João Bernardo Ferreira, natural de Vila Real, e Anna Maria, natural desta vila. Foram padrinhos António Júlio, tio do batizado, e Anna Maria, avó do batizado. Testemunhas: António Manoel e José Joaquim. Para constar fiz este termo.

Batismo de António Júlio – 30/07/1827 – S. João da Pesqueira

A questão onomástica que se apresenta diz respeito à emergência do apelido/sobrenome Pestana, ausente nas gerações imediatamente anteriores, ou seja, nos nomes dos pais e avós de António Júlio. A complexidade da onomástica portuguesa foi tema de inúmeros estudos, portanto fenômenos como esse não deveriam causar espanto. Mas este causou curiosidade: quem teria sido o antepassado mais remoto a carregar o apelido/sobrenome Pestana?

A resposta foi encontrada após pesquisas exaustivas nos assentos paroquiais da Diocese de Lamego. O apelido/sobrenome em questão emergiu algumas gerações acima, como se constata nesta sequência:

António Júlio Pinto Ferreira era filho do bacharel José Pinto Rebello de Carvalho, que por sua vez era filho médico José Pinto do Souto (1762-1842), que era filho do cirurgião Antonio Pinto Rebello (1727-1808), que era filho de José Pinto (1701-?), que por sua vez era filho de Álvaro Pinto (ca. 1640-ca. 1720), que, finalmente, era filho de Antónia Pestana, que deve ter nascido por volta de 1620.

Antónia Pestana, portanto, foi a pentavó do advogado António Júlio e minha eneavó – antepassada direta de nove gerações. A razão pela qual seu sobrenome emergiu apenas algumas gerações abaixo dela permanece desconhecida. Em minha árvore há outros casos similares de emergência tardia de apelidos/sobrenomes ainda não solucionados.


José Araújo é linguista e genealogista amador.