Embananado

Quem tem ascendência escrava em sua árvore familiar pode ter muita dificuldade para encontrar documentos e outros registros que lhe permitam conhecer suas origens. Apenas para citar uma questão bastante frequente e incômoda para os genealogistas, os assentos de batismo de filhos de escravos não costumavam informar os sobrenomes – apelidos, como se diz em Portugal – dos pais e muito menos informavam os nomes dos avós. Em alguns casos, até se encontram referências a supostas origens étnicas, como Cabinda, Guiné, Mina e Angola – p.ex.: Antônio Mina, José Cabinda. Elas, no entanto, não são confiáveis, pois os africanos eram capturados…

Xindonga

Alcunhas – ou apelidos, como se diz no Brasil – costumam ser atribuídas para destacar uma característica física ou de personalidade de uma pessoa, ou até mesmo, como foi o caso de um antepassado em Portugal, para refletir sua posição dentro da família no que diz respeito à transmissão dos bens. Mas o que dizer de uma alcunha que denota o pertencimento a uma etnia que talvez diga algo sobre o local de origem de uma família?

Indenização

Theodora Maria da Conceição é minha bisavó materna e uma personagem bastante complexa de minha árvore familiar. A complexidade se deve ao fato de haver evidências discordantes relativas ao ano de seu óbito, ausência de informações objetivas sobre seus pais e também a respeito de sua cidade de nascimento – Nova Iguaçu ou Itaguaí.

Libertas

Em texto anterior, discuti o resultado de um teste genético que comprovaria um fato desconhecido em minha família materna: minha avó materna, que para todos os efeitos era branca, na verdade tivera uma avó ou bisavó escrava. Outro fato igualmente surpreendente foi a descoberta de que também meu bisavô, pai de minha avó materna, tivera antepassadas escravas.

Centenária

É crença comum que vivemos mais hoje porque temos à nossa disposição as maravilhas da ciência moderna. De fato, nossa vida hoje é mais confortável e estamos ainda menos sujeitos a doenças que nos séculos passados dizimavam populações. Mas nossa maior longevidade pode ser relativizada quando fazemos pesquisas por registros de nossos antepassados.

Julgamento

” […] lembraria a meus colegas que não se estuda história para julgar, mas para compreender.” A Escravidão no Brasil (Como Eu Ensino) – Joel Rufino dos Santos Essa afirmação do historiador Joel Rufino dos Santos me trouxe algum alento após uma descoberta que pôs à prova minha admiração por um parente que, mesmo sem eu jamais tê-lo conhecido, teve enorme importância para mim. 

Escravidão

Sempre soube que tinha antepassados africanos. Meu avô materno era negro, e minha mãe certa vez contou que sua bisavó teria sido escrava e falecido com mais de 100 anos. O que nem ela nem eu imaginávamos – e só descobri muito mais tarde por meio de pesquisa genética – é que ela também tinha antepassados africanos pelo lado materno. O assento de batismo abaixo poderá comprovar isso quando eu puder eliminar outros dois candidatos.