Querela

Até que a evolução da Medicina e das condições sanitárias trouxesse uma progressiva queda nos índices de mortalidade infantil, era comum que as famílias perdessem vários de seus filhos na infância, adolescência e até já entrando na idade adulta. É uma dor difícil de mensurar, mas o que devem ter sentido os pais de Anna Maria, tia-avó de minha bisavó paterna, diante da situação que viveram após seu óbito?

Centenária

É crença comum que vivemos mais hoje porque temos à nossa disposição as maravilhas da ciência moderna. De fato, nossa vida hoje é mais confortável e estamos ainda menos sujeitos a doenças que nos séculos passados dizimavam populações. Mas nossa maior longevidade pode ser relativizada quando fazemos pesquisas por registros de nossos antepassados.

Mortalidade

Maria Antonia Lopes afirma que, “entre 1860 e 1890 a mortalidade portuguesa rondava, em anos normais, os 21% a 25%, ultrapassando os 30% em anos de crise”. E afirma ainda que a mortalidade infantil nos primeiros doze meses de vida era elevadíssima. Podemos imaginar que esses valores fossem mais elevados em décadas anteriores.

Surpresa

Até que a morte os separe? Ou até que ela os una? É tentador fazer uma leitura romântica dos falecimentos destes meus antepassados de oito gerações, com intervalo de apenas alguns dias. Por uma dessas coincidências do destino, os registros acabaram ficando na mesma página do livro paroquial. Veja os assentos e as respectivas transcrições: Anna Correa, do lugar de Francelos, mulher de Leonardo Gonçalves, do mesmo lugar desta freguesia de Vilar de Maçada, faleceu com todos os sacramentos aos 23 dias do mês de setembro do ano de 1738 e foi sepultada dentro desta igreja de Vilar de Maçada…

Testamento

Neste terceiro texto sobre o evento da morte – leia aqui o primeiro e aqui o segundo -, o foco será o testamento,  o qual se tornou o instrumento de nomeação do herdeiro, tal como é hoje, durante o Império Romano. Com a queda do Império Romano, e posteriormente com a crescente influência da Igreja Católica, tornou-se também um instrumento de salvação da alma. Todo bom cristão deveria deixar um testamento, como se diz na expressão corriqueira, “para seu bem de alma” de modo a evitar morrer sem fazê-lo ou, como se diz em latim, ab intestato. Via de regra, um testamento…

Viático

Este segundo texto dedicado ao evento da morte – leia aqui o anterior – trata dos sacramentos da Igreja, os quais, talvez você já saiba, são em número de sete: Batismo Confissão, penitência ou reconciliação Eucaristia Confirmação ou crisma Sagrado matrimônio Ordens sagradas Unção dos enfermos Nos assentos de óbito, os párocos costumavam declarar que os moribundos haviam recebido os sacramentos antes de morrer. Havia, entretanto, quem morresse sem recebê-los, como ocorreu com um tio-avô de minha bisavó paterna, cujo assento de óbito se vê abaixo: Aqui a transcrição: Aos 20 dias do mês de fevereiro do ano de 1842, morreu José Pinto do…