Erros

A busca por assentos paroquiais e registros em conservatórias e cartórios costuma apresentar dificuldades nem sempre superáveis. Os casos mais frequentes envolvem a dificuldade de leitura de assentos escritos a mão, a perda de livros por incêndio e a existência de páginas muito danificadas pelo tempo ou até inexistentes.

Outro caso não incomum e que costuma dificultar a busca pelos registros de nossos antepassados é o erro na grafia de seus nomes e sobrenomes/apelidos. Sem uma leitura cuidadosa de cada assento, corre-se o risco de ignorar um parente que completaria um ramo importante que há muito parecia encerrado.

Um caso curioso de minha árvore envolve a certidão de nascimento de Marina, filha de meu tio-avô Abel e sua mulher Abília. Não fosse a similaridade dos nomes dos pais, eu poderia ter ignorado o registro de Marina, pois o sobrenome de seus pais – Rebosa – virou Barbosa na mão do escrivão do cartório em Nova Iguaçu. Abaixo apresento o documento.

Marina Rebosa
Certidão de Nascimento de Marina Rebosa – 12/06/1924 – Nova Iguaçu, Rio de Janeiro

E aqui a transcrição com meus destaques:

Número duzentos e vinte e um. Aos vinte e um dias do mês de junho de mil novecentos e vinte e quatro, nesta cidade de Nova Iguaçu, estado do Rio de Janeiro, em cartório nesta cidade de Nova Iguaçu, primeiro distrito do município de Iguaçu, compareceu o senhor, Abl, digo, Abel Barbosa, natural de Portugal, lavrador, casado, residente na Avenida Nilo Peçanha sem número, nesta cidade, e na presença das testemunhas abaixo assinadas declarou que no dia doze do corrente mês de junho, em sua residência, [à rua e número acima], nasceu, às seis horas da manhã, uma criança do sexo feminino, cor branca, filha legítima dele declarante e de sua mulher dona Abília de Jesus, de serviços domésticos, natural de Portugal, neta paterna de Luiz Gonçalves Barbosa e d. Maria Benedicta Pinto, naturais de Portugal, e materna de Cândido Lima e d. Irias de Tal, naturais de Portugal, aquele falecido. A criança chamar-se-á Marina, do que faço este termo que lido e achado conforme comigo assinam Gustavo Francisco de Sá a rogo do declarante que não sabe ler nem escrever e testemunhas Adolpho de Salles Teixeira e Alcibíades Soares de Mello […]

Atribuo o erro ao fato de se tratar de um sobrenome pouco vulgar mesmo em Portugal, terra de origem dos pais de Marina, e provavelmente também ao sotaque que estes deviam possuir ainda após alguns anos de vida no Brasil.

A dica, portanto, é sempre ler todo o conteúdo dos registros, com atenção especial aos nomes dos pais, avós ou cônjuges.


José Araújo é linguista e genealogista amador.